Revisão de processos, segurança no acesso ao Gov.br e uso estratégico da declaração pré-preenchida ganham protagonismo na preparação para a próxima temporada
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RH do futuro: é a hora de retomar o foco nas pessoas?
Empresas que priorizam pessoas sobre processos registram melhores resultados financeiros e menor rotatividade, apontam consultorias globais
A transformação digital do setor de Recursos Humanos (RH) caminha em uma direção paradoxal: quanto mais tecnológico se torna, mais humano precisa ser. Pesquisas mostram que, embora a Inteligência Artificial prometa revolucionar processos e elevar a produtividade em até 29%, conforme a consultoria Gartner, são as empresas que se dedicam à experiência dos profissionais que registram os maiores saltos financeiros, com aumento de 50% nas receitas, como aponta a Gallup.
Segundo o Great Place To Work, há um ano, 93% das organizações brasileiras definiram o desenvolvimento de lideranças como prioridade. A comunicação interna assumiu, pela primeira vez na série histórica da pesquisa, o topo dos desafios da gestão de pessoas. O levantamento indica que 33% dos profissionais do setor citam o tema como prioridade, percentual que supera a saúde mental (32%).
Já a pesquisa da Deloitte identificou lacuna entre discurso e prática nas empresas brasileiras. A consultoria aponta que 94% dos executivos consideram a cultura organizacional fundamental para o sucesso do negócio. Apenas 12% deles, porém, se declaram satisfeitos com a cultura atual de suas empresas. A necessidade de reverter esse cenário impulsiona a procura por qualificação específica sobre o tema, seja por meio de curso online de RH, webinar, workshops ou a participação em eventos da área.
Ministério do Trabalho torna monitoramento de saúde mental compulsório
O Ministério do Trabalho e Emprego passou a exigir que empresas identifiquem e avaliem riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A NR-1, que estabelece as diretrizes e os requisitos básicos para a segurança e saúde no trabalho no Brasil, lista como fatores de risco, em sua atualização mais recente, metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais e falta de autonomia.
Organizações que identificarem esses problemas precisam elaborar planos de ação com medidas preventivas e monitoramento contínuo. A mudança regulatória coincide com uma transformação na percepção dos profissionais sobre o tema. Dados da Sólides indicam que 97% dos líderes de RH no Brasil consideram programas de bem-estar muito ou extremamente importantes para a satisfação dos colaboradores.
Além disso, 59% das empresas já destinam orçamento para ações voltadas à saúde mental e emocional dos funcionários, segundo levantamento do Great Place To Work. Para 70% dos trabalhadores, a priorização do bem-estar pela empresa é um fator decisivo na aceitação de ofertas de emprego.
Empresas investem em ferramentas digitais
A Gartner registrou que 69% dos funcionários relataram pelo menos uma barreira ao usar tecnologia de RH nos últimos 12 meses. O instituto constatou que 55% dos líderes de RH afirmam que suas soluções tecnológicas atuais não cobrem as necessidades comerciais presentes e futuras. A pesquisa aponta ainda que 51% dos líderes admitem não conseguir medir o valor comercial da transformação digital.
No caso do uso dos modelos de inteligências artificiais (IAs) generativos, como o ChatGPT, a Sólides verificou, no Panorama de Gestão de Pessoas, que apenas 2 em cada 10 profissionais utilizam esse tipo de ferramentas no trabalho diário.
Consultorias globais citadas pela Fast Company Brasil identificaram que 56% das empresas afirmam estar reformulando seus departamentos de RH digitalmente. Apenas 8% delas conseguem transformar esses dados em decisões inteligentes. Entre as alternativas para reduzir essa defasagem, um curso People Analytics capacita profissionais na interpretação de métricas de pessoas.
Flexibilidade e desenvolvimento pesam mais que remuneração para nova geração
A reputação do ambiente de trabalho funciona como filtro prévio, como visto pelo LinkedIn, que identificou que cerca de 75% dos candidatos pesquisam profundamente a cultura da empresa antes de se candidatarem a uma vaga.
A flexibilidade, especialmente após a pandemia, impacta diretamente a capacidade de atração. O Great Place To Work registrou que empresas presenciais relatam 68% de dificuldade para preencher vagas, enquanto organizações remotas enfrentam 38% de dificuldade. Já a plataforma LinkedIn Solutions constatou que 45% dos candidatos a emprego rejeitariam uma oferta que não oferecesse horários flexíveis.
Uma vez captado, o trabalhador também se baseia no incentivo que a empresa dá à capacitação e crescimento dos funcionários. Um relatório da LinkedIn Learning aponta que 94% dos funcionários afirmam que permaneceriam mais tempo em uma empresa que investisse em seu aprendizado contínuo.
Segundo estimativa da Gartner, um em cada cinco funcionários precisará ser realocado para novas funções até 2030, demonstrando a importância do desenvolvimento constante de competências.
A mesma consultoria identificou um aumento de 34% no desempenho de funcionários em organizações que conseguem incorporar efetivamente a cultura desejada no trabalho diário.
A gestão voltada às pessoas também se materializa em políticas de diversidade, equidade e inclusão, cujo impacto financeiro foi quantificado pela McKinsey. Empresas com maior diversidade étnica e racial apresentam 35% mais chances de ter lucratividade acima da média do setor. Já organizações com maior diversidade de gênero são 25% mais propensas a superar a lucratividade média.
O custo de ignorar o fator humano
A Gallup calculou que o turnover pode custar às organizações até 200% do salário anual de um colaborador. A Gartner mediu os efeitos da fadiga da mudança: 44% dos colaboradores cansados demonstram menor intenção de permanecer na empresa. O instituto identificou que 35% desses profissionais apresentam menos probabilidade de engajamento.
A mesma pesquisa da Gartner aponta que 75% dos líderes de RH reconhecem que seus gestores estão sobrecarregados com a expansão de responsabilidades. O levantamento mostra que 50% dos funcionários não confiam na capacidade de seus gestores para conduzir as equipes ao sucesso nos próximos dois anos.
A Associação Brasileira de RH (ABRH Brasil), em parceria com a Umanni, constatou que apenas 28,67% dos respondentes consideram a liderança de suas empresas totalmente preparada para os desafios de gestão de pessoas. A pesquisa destaca a necessidade de líderes que integrem foco em resultados e cuidado com as pessoas.
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