Foi publicada a Nota Orientativa EFD-Reinf nº 01/2026, que traz esclarecimentos importantes sobre as deduções e isenções permitidas nos Rendimentos Recebidos Acumuladamente
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O desafio silencioso para as empresas no Brasil
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O início de 2026 traz consigo um cenário que, ao mesmo tempo, provoca expectativa e exige atenção. O calendário está repleto de feriados, o Brasil entra em mais um ano eleitoral, a Copa do Mundo tende a influenciar rotinas e comportamentos, e a taxa Selic permanece elevada, em torno de 15%, ainda que exista uma perspectiva gradual de redução ao longo do ano.
Para o empresário, especialmente o pequeno e médio, esse conjunto de fatores não representa apenas um contexto macroeconômico. Ele impacta diretamente a produtividade, o fluxo de caixa, o consumo e, principalmente, a tomada de decisões.
Para o empreendedor, esse novo ano se apresenta como um ano de consolidação. Um período que convida as empresas a amadurecerem seus processos, suas finanças e sua relação com o próprio negócio.
Em ambientes de incerteza, a primeira virtude empresarial passa a ser a organização.
E ela começa por um gesto simples e estrutural: separar a pessoa física da pessoa jurídica. Quando a empresa possui uma conta própria, exclusiva, ela deixa de ser apenas uma extensão da vida do sócio e passa a existir como entidade econômica. Isso permite leitura real de resultados, controle de entradas e saídas e decisões mais conscientes.
O segundo passo é conhecer o próprio custo fixo médio mensal. Esse número representa o quanto o negócio precisa para permanecer de pé. A partir dele, a construção de uma reserva financeira equivalente a, pelo menos, três meses de operação deixa de ser uma meta distante e passa a ser um mecanismo de proteção.
Essa reserva não tem como objetivo apenas atravessar crises, mas oferecer tranquilidade para negociar melhor, planejar com mais clareza e evitar decisões tomadas sob pressão.
O terceiro movimento é compreender que caixa não é apenas dinheiro parado. Em um ambiente de Selic elevada, o custo de oportunidade é alto. Empresas que organizam seu caixa e direcionam seus recursos de forma estratégica conseguem transformar liquidez em força financeira.
Além disso, 2026 pede um olhar mais atento para variáveis que muitas vezes ficam em segundo plano: a sazonalidade do setor, o índice real de inadimplência, o prazo médio de recebimento, o equilíbrio entre compras, vendas e capital de giro. São detalhes que, somados, definem a saúde de um negócio.
Outro ponto sensível é a relação com o crédito. Com juros elevados, tomar recursos externos exige ainda mais critério. O capital deve ser um instrumento de crescimento, não um mecanismo de sobrevivência recorrente.
Esse cuidado se justifica quando observamos os dados de sobrevivência empresarial no Brasil.
Segundo pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal, aproximadamente 29% dos Microempreendedores Individuais encerrem suas atividades antes de completar cinco anos. Entre as microempresas, esse percentual é de 21,6%, e entre as empresas de pequeno porte, cerca de 17%.
Os números mostram que quase um terço dos pequenos negócios não alcança cinco anos de existência, o que reforça a importância da organização financeira, do planejamento e da gestão consciente do caixa.
Em um ano marcado por pausas no calendário e disputas políticas as empresas que se conhecem tendem a atravessar o período com mais estabilidade. Não por serem imunes ao cenário, mas por estarem preparadas para ele.
2026 não parece ser um ano para decisões impulsivas, mas para escolhas conscientes. Um ano em que olhar para o caixa, para os números e para a estrutura interna pode ser tão estratégico quanto olhar para vendas, marketing ou expansão.
No fim, talvez o maior aprendizado seja que empresas não quebram apenas por falta de faturamento, mas, muitas vezes, por falta de organização. E empresas não crescem apenas por oportunidade, mas por preparo.
2026 tem um convite silencioso aos empreendedores, ele não é sobre pressa. É sobre maturidade. Sobre transformar o negócio em algo que não dependa apenas de esforço, mas de consciência e gestão.
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